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A herança do planejamento que moldou a Curitiba de hoje

Décadas de decisões urbanas deixaram uma cidade compacta, verde e organizada em torno do transporte. O legado também impõe desafios.

Por Helena Prado2 min de leitura
A view of a city with tall buildings
Foto: Rafael Otaki / Unsplash

Poucas cidades brasileiras carregam uma identidade tão ligada ao planejamento quanto Curitiba. A capital paranaense construiu, ao longo de décadas, a imagem de cidade organizada, verde e pensada para o transporte coletivo. Essa reputação não nasceu de um acaso, e sim de uma sequência de escolhas urbanas que orientaram o crescimento da cidade.

O plano que orientou o crescimento

A virada estrutural veio quando a cidade decidiu crescer ao longo de eixos definidos, e não de forma espalhada. Em vez de deixar a expansão seguir solta, o planejamento concentrou a ocupação mais densa em corredores específicos, onde o transporte coletivo poderia funcionar com eficiência. Esses eixos se tornaram a espinha dorsal da Curitiba moderna.

A lógica era simples de enunciar e difícil de executar: onde houvesse mais gente morando, deveria haver mais transporte. E onde houvesse transporte de qualidade, a cidade poderia adensar com tranquilidade. Esse casamento entre uso do solo e mobilidade virou a marca registrada do urbanismo curitibano.

Os parques como peça central

Outro pilar foi a rede de parques. Em vez de tratar áreas verdes como sobras do desenvolvimento, a cidade as transformou em equipamentos centrais. Muitos parques cumprem função dupla: oferecem lazer e ajudam a controlar enchentes, funcionando como bacias de contenção em dias de chuva forte.

Essa decisão deu a Curitiba uma paisagem própria. O verde não está apenas nas bordas, mas distribuído pelo tecido urbano, ao alcance de boa parte dos bairros.

O desafio do legado

O modelo, porém, não está imune ao tempo. A cidade que foi planejada para um determinado tamanho precisa lidar agora com uma região metropolitana que cresceu rápido e nem sempre com a mesma organização. O transporte que foi referência enfrenta a pressão de demanda, custo e renovação de frota.

Manter a herança viva exige mais do que preservar o que deu certo. Exige adaptá-lo. O desafio da Curitiba atual é honrar a tradição de planejamento sem transformá-la em museu, encontrando respostas novas para uma cidade que mudou de escala.

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